sexta-feira, 24 de junho de 2016

JUVENTUDE



Quantos abraços em noites de lua,
Quanta nudez nos pensamentos,
Tantos sonhos nascidos e desfeitos,
O quanto de perfeito desperdiçado.

Quanta poesia nos braços dados,
Tantas as noites de estrelas roubadas
E tantos outros mares navegados
E desejos naufragados.

Quantos nomes pronunciados,
Tanta gente que antes não seria
Mas tornaram-se então,
Quanto o coração nos revelou,
E quanto ele amou...

Tantos desejos desenhados
Em folhas brancas e tenras,
Como os corpos que se tocaram
E tornaram a madrugada em festa.

Quantos idiomas se falaram,
Tantas línguas trocadas,
Ah, as palavras estarrecidas
Que saíam de lábios envergonhados.

Quantas ruas percorridas,
Tantas estradas levando a nada,
Tantos caminhos perdidos,
Quantas vidas embaralhadas.

Quantos ouvidos que ouviram
O que nunca lhes disseram,
Os segredos que foram revelados
Aos corpos que nada sabiam.

Ah, o afã de possuir, que era tanto!
A ousadia de querer
O que não se pode ter.


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