Quantos abraços
em noites de lua,
Quanta nudez
nos pensamentos,
Tantos sonhos
nascidos e desfeitos,
O quanto de
perfeito desperdiçado.
Quanta poesia
nos braços dados,
Tantas as
noites de estrelas roubadas
E tantos
outros mares navegados
E desejos
naufragados.
Quantos nomes
pronunciados,
Tanta gente
que antes não seria
Mas tornaram-se
então,
Quanto o
coração nos revelou,
E quanto ele
amou...
Tantos desejos
desenhados
Em folhas
brancas e tenras,
Como os
corpos que se tocaram
E tornaram a
madrugada em festa.
Quantos
idiomas se falaram,
Tantas línguas
trocadas,
Ah, as
palavras estarrecidas
Que saíam de
lábios envergonhados.
Quantas ruas
percorridas,
Tantas estradas
levando a nada,
Tantos caminhos
perdidos,
Quantas vidas
embaralhadas.
Quantos ouvidos
que ouviram
O que nunca
lhes disseram,
Os segredos
que foram revelados
Aos corpos
que nada sabiam.
Ah, o afã de
possuir, que era tanto!
A ousadia de
querer
O que não se
pode ter.




