sexta-feira, 24 de junho de 2016

JUVENTUDE



Quantos abraços em noites de lua,
Quanta nudez nos pensamentos,
Tantos sonhos nascidos e desfeitos,
O quanto de perfeito desperdiçado.

Quanta poesia nos braços dados,
Tantas as noites de estrelas roubadas
E tantos outros mares navegados
E desejos naufragados.

Quantos nomes pronunciados,
Tanta gente que antes não seria
Mas tornaram-se então,
Quanto o coração nos revelou,
E quanto ele amou...

Tantos desejos desenhados
Em folhas brancas e tenras,
Como os corpos que se tocaram
E tornaram a madrugada em festa.

Quantos idiomas se falaram,
Tantas línguas trocadas,
Ah, as palavras estarrecidas
Que saíam de lábios envergonhados.

Quantas ruas percorridas,
Tantas estradas levando a nada,
Tantos caminhos perdidos,
Quantas vidas embaralhadas.

Quantos ouvidos que ouviram
O que nunca lhes disseram,
Os segredos que foram revelados
Aos corpos que nada sabiam.

Ah, o afã de possuir, que era tanto!
A ousadia de querer
O que não se pode ter.


terça-feira, 7 de junho de 2016

SOU O QUE SOU




Sou alma perdida,
Sou o vaso quebrado,
Sou a bomba que explodiu,
Sou a beira da calçada.
Sou a Lua arrependida,
Sou a cara do destino,
Sou hino sem País,
Sou feliz e infeliz,
Sou o molusco da ostra,
Sou a pérola falsificada,
Sou o amante sem amada,
Sou o líquido que embriaga,
Sou a lenda urbana,
Sou a história mal contada,
Sou a desculpa esfarrapada,
Sou a longa jornada,
Sou a viagem de ida,
Sou a passagem de volta,
Sou a revolta adolescente,
Sou quase tudo, e nada,
Sou a chama apagada,
Sou o Sol da madrugada,
Sou o sonho e o pesadelo,
Sou o selo sem qualidade,
Sou o que sou,
De verdade.


segunda-feira, 6 de junho de 2016

ISSO É SAUDADE



Tenho os bolsos vazios
E o coração cheio de saudade,
Por onde caminho, encontro pessoas,
Pessoas que não conheço...
Mas meus sonhos recordam
De rostos e lugares tantos
Que mesmos os desencontros da vida
Não afastam meus olhos do tempo que passou.
Quem amou, viveu o melhor das horas,
Mesmo que as chuvas e trovões
Tenham encharcados seus corações.
Terra boa, terra curtida,
Um porto e bom mar amigo
Que sempre está comigo
Por onde eu desejo navegar.
É devagar que busco lembranças,
Não quero que as crianças que vejo, cresçam,
Quero que permaneçam na minha memória,
Como as crianças mas minhas melhores histórias.
Ah! Palavras, palavras, palavras!!!
Quantas eu digo, quantas cabem
Neste imenso relicário!!
Bom dia, boa noite,
Madrugadas a fio, viajando entre as terras,
Que meus pés ousaram pisar.
O frio, ou o calafrio dos encontros,
Santos e pecaminosos desejos,
Um abraço, ou mil beijos,
Tantos sentimentos sentidos
Que os ventos prometidos pela natureza
Não varreram a beleza destes versos.
O universo permanecerá o mesmo,
Mas os sonhos que virão
Terão o melhor sabor
Do que eu chamo de saudade...

Mário Sérgio de Souza Andrade

AQUARELA



Terminando a aquarela...
Como é bela sua face,
Contraste em o céu e o mar.

Vivo relevo dos sonhos.

O doce contorno dos lábios,
Espero a palavra
 E o beijo.

Borboletas sobre as mãos...
E quão leve o caminhar
Sobre a tela
Que suspira.

Seu corpo alinhavado
Em pele e seda emoldurado.
Silhueta de quem ama
E está sentindo.

Figura que respira poesia
E vive, vive,
O colorido do amor

Que um dia irá lhe despertar.

(Imagem Leonid Afremov)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

É TARDE




É tarde agora amor,
Vamos brincar de contar as horas.
Veja! Quantas estrelas nos sorriem,
E quanto mar para navegar.

Fiquemos a esperar
Os sonhos que não devem terminar...

Vamos inventar histórias,
Deixar memórias guardadas
Em algum lugar
Dos nossos corações.

Contemos aos herdeiros
Nossos primeiros feitos,
Como erguemos as pedras
E construímos uma vida.

Como crescemos
E continuamos crianças,
Como dançamos
Em roda de Lua.

O que temos nas mãos
Além do contorno das letras
E a magia das palavras.

Vamos mostrar
Que atrás das ondas
Existe um oceano de desejos.

É tarde agora amor,
E o amor não tarda,
A vida não tarda,
A felicidade,

Idem.

terça-feira, 31 de maio de 2016

A VISITA








Quem bate à minha porta?
Esta hora, até os sonhos estão dormindo...
Qual notícia se esconde lá fora?
Quem vive ou morre neste mundo?

Carros estacionados, luzes apagadas,
Até os gatos descem dos telhados.

A lua nada mostra, além do clarão,
O céu reserva uma nuvem para a chuva,
Os bueiros guardam a memória das ruas.

Quem bate será de que cor?
Terá nas mãos algum papel?
Notícia de parentes distantes?
Algo para o obituário de amanhã?

Porque não fala atrás da porta
Ao invés de insistir na campainha?
Qual a urgência da coisa,
Será que o mundo vai acabar?

Será homem ou mulher?
Se mulher, estará de vestido?
Se homem, vestirá um terno elegante?

Ou será um maltrapilho noturno
Querendo o pão da madrugada?

 E seus olhos,

Qual a cor de seus olhos?

Essa pessoa,
Marcará minha porta
Com sangue de carneiro?

Quero que algo quebre esse silêncio,
Que ele grite então à minha porta!!!

Qual...
Ele então desiste, e calmamente
Caminha em direção oposta.
E eu, com tantas dúvidas na mente,
Nunca terei qualquer resposta.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

CANÇÃO DOS ANJOS



Cor no olhar sonhador,
O amor que se avista na distância.
Sorriso em lábios, esperança,
Alívio da própria dor.

Mãos que afagam o tempo,
Ventos que sopram do passado,
Os sonhos que deitam ao relento,
Estar, sem nunca ter estado.

Ainda sopram seus instrumentos
Os anjos que guardam sua vida,
A música ouvida suaviza
A saudade de todos os momentos.

Dia e noite se dividem,
Sol e Lua se abraçam,
A alma desperta.
Amor, poesia,

E arte.